Por Alexandre Pegoraro*
Um programa de conformidade sólido pode fornecer não apenas a identificação de riscos, mas também ferramentas para gerenciamento e mitigação desses riscos. No Caso Naskar, acusado de desviar milhões em um esquema fraudulento, a falta de mecanismos eficazes para detectar acessos não autorizados contribuiu significativamente para a vulnerabilidade do sistema, que enfrentou um ataque cibernético. Aqui, o papel do compliance se torna evidente: é vital que haja uma estrutura que não apenas crie normas, mas que também faça cumprir.
Sem controles adequados, as fraudes podem proliferar, conforme demonstrado em esquemas fraudulentos que envolvem manipulação de credenciais e dados sensíveis. Além disso, para que um programa de conformidade seja eficaz, é muito importante que todos os funcionários compreendam as políticas de segurança cibernética.
Campanhas de conscientização e treinamentos regulares não são apenas recomendações, mas componentes essenciais de uma cultura de compliance. Eles ajudam a garantir que a equipe esteja ciente das melhores práticas e das ameaças potenciais, formando um corpo de colaboradores mais vigilante e disponível para identificar comportamentos suspeitos.
O estabelecimento de controles internos robustos é um componente essencial de um programa de conformidade. Esses controles devem ser revisados para monitorar atividades suspeitas e garantir que as credenciais de acesso sejam gerenciadas de forma segura.
No contexto do Caso Naskar, evidenciamos como falhas nas credenciais permitiram a operação de um esquema criminoso. O caso expõe essas lacunas na gestão de compliance da empresa, demonstrando a urgência de um sistema que não apenas reaja a incidentes, mas que os previna. As empresas devem aprender com esse episódio e investir em programas de compliance adequados, não apenas para proteger seus ativos, mas para manter a integridade de suas operações. A implementação de auditorias frequentes e avaliações de risco proativas é essencial para fortalecer a postura de compliance e aumentar a resiliência organizacional.
Para situações em que acontece um ataque cibernético, um programa de compliance deve incluir protocolos claros para investigação e resposta a incidentes. A agilidade da investigação da Polícia Civil de Minas Gerais foi fundamental para identificar os responsáveis e entender como o ataque foi realizado. Um plano de resposta bem estruturado pode minimizar os danos e restaurar a confiança dos clientes. Isso inclui não apenas uma comunicação clara e transparente durante e após um incidente, mas também um compromisso contínuo com a melhoria das práticas de conformidade.
A transparência nas operações torna-se vital. As empresas devem se comprometer com uma comunicação aberta, tanto interna quanto externamente. As instituições financeiras e fintechs devem ficar atentas às exigências legais e regulatórias que, quando seguidas, não apenas ajudam a evitar fraudes, mas também protegem a confiança da empresa e garantem a confiança dos consumidores.
Em um mundo cada vez mais digital, a segurança cibernética não deve ser uma reflexão tardia, mas sim uma prioridade. O caso Naskar serve de alerta para instituições financeiras e empresas de tecnologia: a implementação de um robusto programa de compliance não é apenas uma opção, mas uma necessidade inadiável.
Ao investir em compliance, as empresas não estão apenas protegendo seus ativos, mas também promovendo um ambiente de negócios saudável e sustentável, essencial para o desenvolvimento econômico e a confiança do consumidor. Assim, a importância do compliance se destaca não apenas como uma defesa contra fraudes, mas como um pilar fundamental para a confiança do mercado.
Por meio de práticas éticas, treinamento constante e monitoramento rigoroso, as empresas podem apenas evitar prejuízos financeiros, mas também construir uma proteção que resista ao tempo. O legado de casos como o de Naskar nos ensina que, em um ambiente de risco crescente, a conformidade não é um custo, mas um investimento indispensável para a prosperidade e o sucesso no cenário econômico contemporâneo.
*Alexandre Pegoraro é CEO do Kronoos











