A 301 km de João Pessoa, no centro do Sertão da Paraíba, a cidade de Patos — carinhosamente apelidada de Princesa do Sertão e Morada do Sol — destaca-se por seus extremos climáticos, tendo registrado 51°C em novembro de 2023, a maior temperatura do estado naquele ano, com médias confirmadas pela Aesa. Elevado à categoria de cidade em 24 de outubro de 1903, o município contrasta seu forte calor com a paisagem serrana a apenas 45 km de distância, em Maturéia, onde se ergue o Pico do Jabre, ponto culminante paraibano com 1.208 metros de altitude. A região abriga o Parque Nacional da Serra do Teixeira, o primeiro parque nacional da Paraíba, criado em 5 de junho de 2023. Gerida pelo ICMBio, a área protege mais de 61 mil hectares do bioma Caatinga, preservando centenas de espécies da fauna e flora, incluindo animais ameaçados de extinção e plantas endêmicas.
Da doação de 1752 aos 122 anos de cidade em 2025
A história de Patos remonta ao século XVIII, quando o Sertão paraibano começou a ser desbravado por bandeirantes vindos das capitanias vizinhas. Segundo divulgação do portal oficial da Paraíba Criativa, iniciativa do governo estadual, em 1752, o capitão Paulo Mendes de Figueiredo e sua esposa Maria Teixeira de Melo, que residiam nos Sítios de Patos e Pedra Branca, doaram parte de suas terras a Nossa Senhora da Guia. É sobre essas terras que a cidade se edificou. Em 28 de novembro de 1768, a doação foi ratificada pelos herdeiros de Paulo Mendes, e a construção da capela começou em 1772. Nos arredores da igreja, se formou a povoação que foi inicialmente incorporada à Freguesia de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Pombal. Segundo a tradição, o nome do município teria origem em uma antiga lagoa dos Patos, hoje aterrada, situada às margens do Rio Espinharas.
A emancipação política aconteceu em 13 de dezembro de 1832, e a elevação à categoria de cidade veio pela Lei nº 200, de 24 de outubro de 1903, data celebrada anualmente como aniversário oficial. O município tem 506,5 km² de território e ocupa uma das localizações mais estratégicas do Sertão, cortado por vetores viários que ligam a Paraíba ao Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará. A tradição pecuária marcou os primeiros séculos, com criação de gado, cavalos, ovelhas e cabras, complementada pela produção de milho, arroz, feijão, mandioca e algodão nos distritos vizinhos, como o de Teixeira. Um capítulo triste da história local foi o surto de cólera iniciado em 1856, que dizimou muitas vidas na região sertaneja. Entre os filhos ilustres do município estão o ex-ministro Ernani Sátyro, único patoense a governar a Paraíba, e João Rodrigues Coriolano de Medeiros, fundador da Academia Paraibana de Letras (APL).

Os 51°C da Morada do Sol e o Pico do Jabre a 1.208 metros
A grande curiosidade climática de Patos foi confirmada oficialmente em novembro de 2023. Segundo divulgação de portais regionais especializados, a temperatura na cidade atingiu 51°C, marca considerada uma das mais altas já registradas no Sertão do Nordeste brasileiro naquele ano. A Aesa confirmou que o município registrou a temperatura mais alta do estado em 2023, com média de 39,1°C durante a primavera, mais de três graus acima da média histórica. O apelido oficial Morada do Sol ganhou sentido literal com o registro. As causas incluem a combinação da posição geográfica na Depressão Sertaneja, a altitude modesta (aproximadamente 250 metros), a proximidade da Serra do Teixeira que bloqueia parte da umidade oceânica e o clima semiárido predominante no interior nordestino.
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O contraste com o Pico do Jabre é espetacular. A menos de uma hora de carro da cidade, o ponto culminante do estado ergue-se a 1.208 metros de altitude, segundo divulgação do portal oficial da Presidência da República. O Parque Nacional da Serra do Teixeira, criado pelo Decreto Presidencial nº 11.552, de 5 de junho de 2023, é o primeiro parque nacional da Paraíba. Segundo divulgação do portal oficial da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), o parque tem 61.095 hectares e engloba os municípios de Água Branca, Cacimba de Areia, Catingueira, Imaculada, Juru, Mãe d’Água, Maturéia, Olho d’Água, Santa Terezinha, Santana dos Garrotes, São José do Bonfim e Teixeira. Protege 70 nascentes de água, das quais 70% integram a bacia do Rio Piranhas-Açu. A vegetação combina Caatinga na base com resquícios de Mata Atlântica no topo, graças à altitude que traz umidade e temperaturas mais amenas. Do Pico do Jabre, em dias claros, avista-se 130 km de paisagem sertaneja, incluindo trechos do Rio Grande do Norte e de Pernambuco.

O que fazer entre a Igreja da Guia e o topo da Serra do Teixeira
Patos combina turismo religioso, ecoturismo, aventura na serra e cultura sertaneja em roteiros compactos. Reserve pelo menos três dias para o essencial e um extra para incluir o Pico do Jabre e a Serra do Teixeira.
- Igreja Matriz de Nossa Senhora da Guia: construída sobre a doação original de 1752, é o marco fundador da cidade e recebe a tradicional Festa da Guia.
- Pico do Jabre: ponto culminante da Paraíba com 1.208 metros de altitude, no município vizinho de Maturéia, dentro do Parque Nacional da Serra do Teixeira.
- Parque Nacional Serra do Teixeira: primeiro parque nacional da Paraíba, com 61.095 hectares, trilhas, mirantes e mais de 500 espécies de fauna e flora.
- Serra do Boqueirão: uma das principais elevações do território municipal, com trilhas, mirantes e vegetação típica da Caatinga.
- Rio Espinharas: curso d’água histórico às margens do qual surgiu a cidade e a antiga lagoa dos Patos, hoje aterrada.
- Serrotes de Patos: conjunto que inclui Espinho Branco, Forquilha, Serra Negra, Campo Alegre, Trapiá, Pitombeiras, Caboclo e Tamanduá.
- Festa da Padroeira: também chamada de Festa da Guia, uma das mais tradicionais celebrações religiosas do Sertão paraibano.
Este vídeo do canal Canal Oxente Paraíba, com 187 mil visualizações, apresenta um passeio pela cidade de Patos (PB), conhecida como a “Morada do Sol” e a “Princesinha do Sertão”.
O primeiro Parque Nacional da Paraíba e as 237 espécies protegidas
A criação do Parque Nacional da Serra do Teixeira em 2023 representa um marco para a conservação ambiental do Nordeste brasileiro. Segundo divulgação do portal oficial da Prefeitura Municipal de Maturéia, o decreto foi assinado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Dia Mundial do Meio Ambiente, coroando uma trajetória de estudos iniciada em 2009. O parque protege 265 espécies vegetais, das quais 24 são endêmicas do bioma Caatinga, e 237 espécies animais entre anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Pelo menos 19 dessas espécies estão na lista vermelha de fauna ameaçada de extinção. O registro mais importante é o do jacaré-do-papo-amarelo, que pode ter no parque a única população natural remanescente no semiárido paraibano.
A serra apresenta altitudes médias de 700 metros, culminando com o Pico do Jabre. Antes da criação do parque nacional, o topo da serra já era protegido pela Unidade de Conservação Pico do Jabre, reconhecida em 19 de junho de 2002 pelo Decreto Estadual nº 23.060. Segundo divulgação de portais regionais, a temperatura média anual no topo é de 21°C, com precipitação entre 800 e 1.000 mm concentrada de janeiro a maio. Nas madrugadas de inverno, quando frentes frias vindas do polo sul atravessam a América do Sul, a sensação térmica no Pico do Jabre pode ficar abaixo de zero grau com vento forte. É o contraste climático mais dramático do Sertão paraibano: enquanto na cidade de Patos os termômetros marcam 51°C, no cume da serra a temperatura pode se aproximar do congelamento.
Como é o clima e a melhor época para visitar
Patos tem clima semiárido, típico do Sertão paraibano. As temperaturas são elevadas o ano inteiro, variando entre 21°C nas madrugadas de julho e picos que chegaram a 51°C na primavera de 2023. Segundo dados de referência do Climatempo, as chuvas se concentram entre janeiro e abril, com médias mensais que podem ultrapassar 80 mm no pico da estação úmida. A estação seca vai de maio a novembro, com dias ensolarados, umidade baixa e temperaturas altas durante o dia. O ideal é visitar entre maio e agosto, quando o clima é menos quente e mais agradável para percorrer as trilhas do Parque Nacional Serra do Teixeira e chegar ao topo do Pico do Jabre. Para as festas religiosas, o mês de dezembro traz a Festa da Guia como principal evento do calendário.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Para chegar a Patos, o acesso principal é pela BR-230, a Transamazônica, que corta o estado da Paraíba de leste a oeste. De João Pessoa, o percurso é de 301 km em cerca de 4h30. De Campina Grande, são aproximadamente 165 km em 2h30. O Aeroporto de Patos opera voos regionais, e o Aeroporto Internacional Presidente Castro Pinto, em João Pessoa, é a porta aérea comercial mais próxima, com voos das principais capitais brasileiras. Ônibus rodoviários com saídas diárias conectam a cidade a João Pessoa, Campina Grande, Sousa, Recife, Natal e Fortaleza. Dentro do município, o carro é a melhor opção para explorar os arredores e chegar ao Pico do Jabre em Maturéia.
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Cruze a BR-230 e conheça a Princesa do Sertão
Patos guarda um pedaço raro do Sertão paraibano, onde 122 anos como cidade convivem com o apelido oficial de Morada do Sol confirmado pelos 51°C registrados em novembro de 2023, o Pico do Jabre a 1.208 metros como ponto culminante da Paraíba e o primeiro Parque Nacional do estado criado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2023. Poucos destinos combinam a doação a Nossa Senhora da Guia em 1752, os 61.095 hectares do Parque da Serra do Teixeira, as 237 espécies animais protegidas e o contraste entre a planície escaldante e o topo da serra onde a sensação térmica pode ficar abaixo de zero grau.











