Existem cidades brasileiras que carregam o nome de uma vila do outro lado do Atlântico. No extremo sul da Bahia, na região conhecida como Costa das Baleias, um município de pouco mais de 25 mil habitantes reúne o primeiro parque marinho da história do Brasil, uma temporada anual de baleias-jubarte que chegam da Antártida e um centro histórico que remonta ao século XVIII.
Como uma vila fundada em 1772 virou uma das portas do Parque Marinho de Abrolhos?
Alcobaça tem origem no Arraial de Itanhém, criado em 12 de novembro de 1772 pelo Ouvidor José Xavier Machado Monteiro. A vila foi instalada às margens do Rio Itanhém, ao sul da antiga Capitania de Porto Seguro. O nome é uma homenagem à cidade de Alcobaça, em Portugal, terra natal dos colonizadores que se estabeleceram na região.
A localização estratégica na costa transformou o município em uma das principais bases turísticas para quem visita o Parque Nacional Marinho de Abrolhos. É uma das três portas de entrada para o parque, junto com Caravelas, e concentra parte do Centro de Visitantes da unidade. O município integra a chamada Zona Turística Costa das Baleias, que reúne cinco cidades: Prado, Alcobaça, Caravelas, Nova Viçosa e Mucuri.

Por que o Parque Nacional Marinho de Abrolhos foi o primeiro do Brasil?
O Parque Nacional Marinho de Abrolhos foi criado pelo Decreto nº 88.218, de 6 de abril de 1983, e é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Foi o primeiro do Brasil a receber o título de Parque Nacional Marinho e ocupa cerca de 90 mil hectares no Oceano Atlântico.
A unidade é dividida em dois polígonos. O primeiro fica em frente ao município de Alcobaça e abrange o Recife de Timbebas. O segundo, a cerca de 70 km da costa, engloba o Parcel dos Abrolhos e o Arquipélago dos Abrolhos, formado pelas ilhas Redonda, Siriba, Sueste, Guarita e Santa Bárbara. Segundo dados do ICMBio, a região abriga a maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul. Abrolhos é o 11º sítio Ramsar brasileiro e o primeiro na Bahia, título internacional dedicado a áreas úmidas de importância mundial.

O que ver na temporada de baleias-jubarte entre julho e novembro?
Entre julho e novembro, as baleias-jubarte deixam as águas geladas da Antártida e percorrem mais de 4 mil km até a costa baiana. Chegam ao litoral para se reproduzir e amamentar os filhotes em águas mornas e seguras. O nome “Costa das Baleias” nasceu desse fenômeno, que se repete todos os anos.
Segundo o Instituto Baleia Jubarte, cerca de 28 mil animais são monitorados na costa brasileira. Os adultos chegam a 13 a 16 metros de comprimento e até 40 toneladas. O turismo de observação de baleias, conhecido como whale watching, é uma das principais atrações da temporada. Os barcos partem principalmente de Caravelas, com hospedagem opcional em Alcobaça. O período de agosto e setembro concentra a maior quantidade de avistamentos, com dias ensolarados e mar mais calmo.
Que praias formam o litoral do encontro do Rio Itanhém com o mar?
O litoral do município reúne trechos preservados, com faixas de areia longas e águas mornas. Confira abaixo os destaques:
- Praia de Alcobaça: cartão-postal urbano, com faixa de areia extensa e mar sem grandes ondulações, ideal para famílias com crianças.
- Praia da Barra do Itanhém: fica a cerca de 4 km ao sul do centro, no encontro do Rio Itanhém com o mar, com casas de veraneio e restaurantes.
- Praia de Guaratiba: a mais deserta, a cerca de 6 km ao sul do centro, com vegetação de restinga preservada.
- Praia dos Corais: procurada por quem quer observar formações rochosas e a fauna marinha da região.
- Praia do Farol: com farol tradicional e vista privilegiada da costa do extremo sul baiano.
- Parcel de Paredes: dentro da APA Ponta da Baleia de Abrolhos, com 30 km de recifes que formam labirintos, prainhas e piscinas naturais de águas cristalinas.
Este vídeo do canal Andarilho Capixaba, com 3,6 mil visualizações, apresenta um passeio por Alcobaça (Bahia), destacando sua rica história, praias, arquitetura colonial e pontos turísticos do sul baiano.
Como é o centro histórico da Costa das Baleias?
O centro urbano concentra a arquitetura colonial portuguesa herdada dos primeiros séculos de colonização. As construções antigas remontam ao século XVIII, quando a vila foi criada, e conservam elementos típicos do estilo colonial baiano.
As festas populares mantêm vivas tradições seculares. A Guerra dos Mouros e Cristãos, celebrada em 19 e 20 de janeiro, é uma das mais antigas do calendário. A Festa de São Sebastião, em 20 de janeiro, encerra as celebrações. A Festa do Divino, no domingo de Pentecostes (maio ou junho), reúne a comunidade em desfiles e procissões pelas ruas do centro. A gastronomia é uma das mais ricas da região, com pratos preparados a partir de siris, camarões, pitus, gaiamuns, ostras e uma grande variedade de peixes do Rio Itanhém e do mar.
Como é o clima em Alcobaça?
A cidade tem clima tropical quente e úmido durante todo o ano, com verões mais chuvosos. Confira abaixo as médias por estação:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Alcobaça?
A cidade fica a cerca de 810 km de Salvador e 230 km de Porto Seguro, com acesso principal pela BR-101 e depois pela BA-290. O trajeto de carro leva em média três horas partindo de Porto Seguro pela combinação das duas rodovias.
O Aeroporto Internacional de Porto Seguro é o mais próximo, com voos regulares das principais capitais brasileiras. O Aeroporto de Teixeira de Freitas, a 64 km, também recebe voos regionais. Muitos visitantes contratam transfers privados. A cidade permite roteiros combinados com Prado, Caravelas e o Arquipélago de Abrolhos.
Uma cidade onde a Portugal do século XVIII dividiu o mesmo endereço com o primeiro parque marinho brasileiro
Poucos endereços do litoral brasileiro conseguem juntar em pouco espaço um centro histórico que remonta a 1772, o primeiro parque marinho da história do Brasil, uma temporada de baleias-jubarte que atrai visitantes de várias partes do mundo e um encontro raro do rio com o mar. A combinação faz de Alcobaça um destino sensorial e completo no extremo sul baiano, com camadas que atravessam da Portugal colonial ao ritmo contemporâneo do turismo ambiental.











