O turismo rural que hoje aparece em roteiros de todo o país começou com uma decisão simples: abrir a porteira de uma fazenda para quem não tinha onde dormir. Isso aconteceu no planalto de Santa Catarina, entre campos de araucária e muros de pedra levantados por tropeiros. Lages, a Princesa da Serra, virou referência nacional a partir dessa ideia.
Por que a cidade nasceu no meio do caminho dos tropeiros?
Para servir de parada obrigatória em uma rota comercial que atravessava o sul do país. Segundo o portal Santa Catarina Turismo, o governador da Capitania de São Paulo incumbiu o bandeirante Correia Pinto de fundar um povoado que servisse de ponto de defesa contra a invasão dos castelhanos e protegesse tropeiros e viajantes.
A data de nascimento está registrada. O mesmo portal informa que em 22 de novembro de 1766 foi fundada a povoação de Nossa Senhora dos Prazeres das Lajens, e que desses mais de dois séculos restou o legado dos campos nativos, com coxilhas, taipas centenárias e rios de águas límpidas.

Como as fazendas da região criaram um modelo copiado pelo país?
Recebendo hóspedes onde antes só havia gado. Conforme o Lages Turismo, portal oficial de turismo do município, a cidade é a maior em extensão de Santa Catarina, formada por montanhas, campos, vales e rios, e se consolidou como destino de inverno com eventos culturais e gastronômicos.
O frio ajudou a construir a fama. O mesmo portal registra que, embora a neve não seja garantida todos os anos, a cidade tem potencial para registrá-la e sedia a Estação Inverno, iniciativa do governo estadual para movimentar o turismo e a economia da região serrana durante a estação mais fria.

O que ver na Serra Catarinense a partir da cidade?
O roteiro mistura campo aberto, tradição tropeira e calendário de eventos. Confira o que estrutura a visita:
- Coxilha Rica: região de campos nativos demarcados por taipas de pedra, berço dos primeiros hotéis-fazenda do país.
- Hotéis-fazenda: propriedades centenárias que recebem visitantes com cavalgadas, fogo de chão e rotina rural.
- Festa Nacional do Pinhão: principal evento do calendário local, realizado no período frio.
- Catedral Diocesana: templo no centro, ponto de referência da paisagem urbana.
- Monumento Boi de Botas: escultura ligada à lenda que deu o apelido aos moradores da cidade.
- Campos de araucária: paisagem típica do planalto, que amanhece coberta de geada no inverno.
O vídeo do canal Sincero SC, com mais de 194 mil visualizações, apresenta a cidade de Lages (SC), na Serra Catarinense.
Como é o clima em Lages ao longo do ano?
A altitude do planalto serrano garante um dos invernos mais rigorosos do país, com chuva bem distribuída. Veja como as estações se comportam em Lages:
Médias de chuva com base no Climatempo. As condições variam de um ano para outro pela influência do El Niño, da La Niña e de outros fenômenos, então vale conferir a previsão atualizada antes da viagem.
Como se chega ao planalto serrano saindo de Florianópolis?
São cerca de 226 km entre a capital catarinense e a cidade, com acesso pela BR-282, rodovia que corta o estado no sentido leste-oeste. A viagem sobe a serra e costuma render pouco mais de três horas de carro.
A posição facilita emendar destinos. Lages é o principal centro urbano da Serra Catarinense e funciona como base para conhecer outros municípios do planalto, além de fazer divisa com o Rio Grande do Sul.
Conheça a cidade catarinense onde a fazenda virou hotel
O que diferencia esse destino não é uma atração isolada. É perceber que uma prática hoje comum no país inteiro nasceu ali, em propriedades que continuam funcionando como fazendas e apenas passaram a dividir o cotidiano com visitantes.











