Poucas cidades brasileiras existiram no papel antes de existirem no chão. Uma delas foi desenhada na década de 1940 por um engenheiro paulistano que trabalhou apenas com fotos aéreas e mapas topográficos de uma mata no noroeste do Paraná. Maringá seguiu esse traçado por quase oito décadas sem perdê-lo.
Como uma canção deu nome à cidade?
Pela popularidade de um samba nas frentes de desmatamento. Em 1931, o compositor mineiro Joubert de Carvalho escreveu uma canção sobre uma retirante nordestina chamada Maria do Ingá, e a contração dos dois nomes criou a palavra que virou sucesso nas rádios.
Os trabalhadores levaram o refrão para a mata. Operários da companhia colonizadora que abria estradas na região cantavam a música, e a sugestão de batizar o novo núcleo com o nome da canção partiu de dentro da própria empresa. A fundação oficial aconteceu em 10 de maio de 1947.

Que conceito urbanístico o projeto seguiu?
O de cidade-jardim, formulado pelo britânico Ebenezer Howard. O traçado previa avenidas largas acompanhando o relevo, canteiros centrais arborizados, zonas concêntricas e a reserva de três áreas de mata nativa dentro do perímetro urbano.
O resultado se vê no cotidiano. As copas se fecham sobre as avenidas e formam corredores sombreados em vários bairros, e os parques urbanos ficam a poucos minutos de qualquer região da cidade, condição que rendeu o apelido de Cidade Verde.

O que a catedral tem de diferente?
O formato e a altura, incomuns na arquitetura religiosa brasileira. A Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória é um cone de concreto de 124 metros, visível de praticamente qualquer bairro, com mirante e cripta subterrânea.
O desenho não é acidental. A forma cônica foi inspirada nos satélites lançados no início da corrida espacial, referência que situa a construção no seu tempo e a diferencia das igrejas de traçado tradicional.
O que ver na cidade?
O roteiro se organiza entre parques e o marco vertical do centro. Confira o que estrutura a visita:
- Catedral Basílica Menor: o cone de concreto de 124 metros, com mirante e cripta.
- Parque do Ingá: reserva de mata nativa no centro, com lago, jardim japonês e pista de caminhada.
- Parque do Japão: área verde em homenagem à imigração japonesa, com lago de carpas e casa de chá.
- Bosque das Grevíleas: espaço arborizado próximo ao centro, usado para lazer e caminhada.
- Túneis de árvores: avenidas onde as copas se encontram sobre a via, marca visual do município.
- Florada dos ipês: entre agosto e setembro, os corredores verdes ganham faixas de amarelo e roxo.
Este vídeo do canal Araujos por aí, com mais de 15 mil visualizações, apresenta um guia com os principais pontos turísticos de Maringá, no Paraná, conhecida como a “Cidade Canção”.
Como é o clima em Maringá ao longo do ano?
O noroeste paranaense tem verão quente e chuvoso e inverno mais seco, com variação forte de temperatura. Veja como o ano se comporta em Maringá:
Médias de chuva com base no Climatempo. As condições variam de um ano para outro pela influência do El Niño, da La Niña e de outros fenômenos, então vale conferir a previsão atualizada antes da viagem.
Como se chega ao noroeste paranaense?
Por via aérea, com aeroporto regional na cidade, ou por rodovia, a partir de Curitiba, em trajeto de algumas centenas de quilômetros até o noroeste do estado. A cidade funciona como centro regional de serviços.
Circular por lá é simples. O traçado em zonas concêntricas concentra comércio, escolas e serviços em cada bairro, e boa parte dos moradores alcança a pé o centro e os parques principais.
A cidade que existiu no papel antes de existir no chão
O que torna Maringá singular no urbanismo brasileiro é a fidelidade ao projeto. Um desenho feito à distância, sem visita ao terreno, definiu onde ficariam as avenidas, os bairros e as matas, e essa decisão sobreviveu ao crescimento de quase oitenta anos.











